Câmbio flutuante: saiba o que é e como funciona

O câmbio flutuante segue a lei de oferta e demanda, e se opõe ao regime cambial fixo. Entenda o que é, como funciona e de que forma impacta sua vida.

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Time Nomad

10 min.

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Publicado em

19/3/2025

O câmbio flutuante se caracteriza por variar conforme a lei de oferta e demanda. Na prática, isso significa que o Banco Central (Bacen) não deve interferir na cotação do dólar e deixar o próprio mercado fazer essa regulação.

Nesse cenário, surge um questionamento: como o câmbio flutuante interfere no preço de produtos e serviços, nos investimentos e na sua vida financeira? É o que responderemos neste artigo. Continue lendo e entenda!

O que é câmbio flutuante?

O câmbio flutuante é um regime em que a cotação das moedas não sofre interferência do governo. A ideia é deixar a volatilidade agir conforme a lei de oferta e demanda. Isso faz com que as taxas variem de acordo com diferentes aspectos, como os juros, a inflação, o crescimento econômico do país e os níveis de importação e exportação.

Quanto mais demanda determinada moeda tem, mais elevado é o seu valor. O contrário também acontece, isto é, se a oferta for maior do que o total de compradores, a cotação cai.

Esse contexto faz com que a taxa de câmbio seja o “preço” da moeda. O ponto-chave é que esse valor de negociação muda constantemente devido a diferentes fatores, justamente porque não existe interferência frequente do governo.

Para entender melhor, confira o seguinte exemplo. Imagine que você está em uma cidade em que se registra uma seca importante e, por isso, há situações de falta de abastecimento de água. O que você faz? A resposta é buscar um caminhão-pipa ou comprar galões e garrafões.

O preço a ser pago, porém, será mais alto do que o normal por conta da procura intensa dos moradores. Se antes um galão de 10 litros era comercializado a R$ 12, por exemplo, com o aumento da demanda, ele passa a ter um preço de R$ 20.

Nesse caso, pouco importa quanto o supermercado pagou pelo produto. Como a disponibilidade é limitada, o estabelecimento pode cobrar a mais — é a lei de oferta e demanda.

A mesma prerrogativa é seguida ao converter dólar em real. Se houver uma busca maior pela moeda norte-americana e uma disponibilidade menor de dólares, você poderá pagar mais.

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Como funciona o câmbio flutuante?

O câmbio flutuante funciona pela relação entre a busca de compradores por determinada moeda e a oferta disponível nas reservas do país. Não pode haver interferência direta do governo, porque a proposta é que a cotação varie conforme o volume de compra e venda no mercado.

Devido a suas características, entender o que é câmbio flutuante e como funciona esse regime, passa pela análise da balança comercial, isto é, o total de importações e exportações. Esse é um dos fatores, mas existem outros a considerar, como:

  • Compra e venda de moedas;
  • Atividades do mercado financeiro (empréstimos, investimentos, fluxos de pagamentos e mais);
  • Taxa de juros interna (no caso do Brasil, a Selic);
  • Atividades do turismo;
  • Política fiscal e monetária;
  • Situação econômica do país.

Todos esses fatores fazem a cotação das moedas oscilar constantemente. Nesse contexto, o Bacen tem a função de consultar o valor do câmbio no mercado e verificar o preço refletido pelas instituições financeiras. A partir desses dados, ele calcula a taxa PTAX, que é a média diária.

A diferença entre câmbio flutuante e fixo

A diferença entre câmbio flutuante e fixo é a forma como o valor das moedas é definido. No primeiro caso, não existe interferência governamental, enquanto no segundo, há um preço que nunca muda.

No regime cambial fixo, o valor das moedas continua oscilando no mercado, mas o Banco Central intervém para manter o mesmo preço sempre. Esse processo é feito pela compra e venda de dólares de forma constante, que assegura a manutenção da taxa.

O Brasil adotou o regime fixo até janeiro de 1999. Na época, o Banco Central trabalhava com a chamada banda cambial, um sistema misto em que o preço do real ficava fixado ao dólar dentro de uma faixa específica.

O modelo deixou de ser usado após uma queda acentuada das reservas de moeda do Banco Central. Com isso, o real desvalorizou cerca de 70%, sendo inviável manter o regime.

Ao colocar em prática o câmbio flutuante, o governo não deve intervir para manter o dólar turismo ou comercial no mesmo patamar. A lei de oferta e demanda naturalmente realiza essa regulação.

Além do Brasil, outras grandes economias do mundo adotam o câmbio flutuante. Alguns exemplos são Estados Unidos, Índia, União Europeia, Japão, Reino Unido e Austrália.

Também há países que optam pelo modelo intervencionista. Entre os territórios que adotam o regime cambial fixo estão Hong Kong, China e Arábia Saudita.

Confira como ver a cotação do dólar hoje no aplicativo da Nomad.

O que é câmbio flutuante sujo?

O câmbio flutuante sujo é aquele em que o Banco Central intervém nos momentos em que há uma oscilação muito grande. Nesses períodos de crise ou extremos, há a compra ou venda de moeda estrangeira a fim de garantir certo equilíbrio.

Na realidade, o regime cambial adotado pelo Brasil é o sujo, sendo que a interferência acontece sempre que a oscilação fica acima do esperado. Apesar do nome, a prática está longe de ser ilegal.

A palavra “sujo” é utilizada somente para indicar que o regime funciona de maneira diferente do que é previsto em sua acepção original.

Como o câmbio flutuante impacta a economia?

O câmbio flutuante impacta a economia e o povo ao influenciar os custos de insumos, matérias-primas e produtos importados. Isso significa que o preço pode aumentar para empresas e o consumidor final, dependendo das oscilações da moeda, especialmente o dólar.

No caso de um aumento da moeda americana, por exemplo, fica mais caro importar. Ao mesmo tempo, compensa exportar, já que os ganhos nessa modalidade são maiores.

Para o mercado nacional, essa situação gera o aumento de preços, o que pressiona o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Como consequência, a inflação aumenta, o poder de compra da população diminui e o custo de vida das pessoas se torna mais elevado.

Com o aumento da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a Selic, a taxa básica de juros da economia. Essa alta torna o acesso ao crédito mais caro tanto para pessoas quanto para empresas, e isso retrai a economia. Em outras palavras, é um efeito cascata.

Por outro lado, se o dólar se mantém baixo, acontece exatamente o contrário. Fica mais barato importar e caro para exportar produtos. Em âmbito nacional, os preços tendem a cair, a inflação diminui, o poder de compra aumenta e a taxa Selic tende a baixar.

O impacto do câmbio flutuante sobre os investimentos

O impacto do câmbio flutuante sobre os investimentos é derivado do seu movimento oposto à valorização dos ativos em reais. Isso significa que a valorização do dólar faz os produtos financeiros na moeda brasileira perderem valor e vice-versa. Para fazer hedge, portanto, o recomendado é optar pelo mercado americano, que apresenta uma economia mais sólida.

Quando você opta por essa diversificação da carteira de investimentos, você passa a investir em dólar e protege seu patrimônio contra a volatilidade do mercado brasileiro. Ou seja, é possível reduzir os riscos da operação e focar a rentabilidade no longo prazo.

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