por
Bruno Shahini
5 min
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Publicado em
21/3/2025
Esta foi uma semana importante, marcada por decisões dos bancos centrais do Brasil e dos EUA, além de incertezas sobre as políticas tarifárias americanas e tensões geopolíticas. Nos EUA, o Federal Reserve manteve os juros estáveis no intervalo de 4,25%-4,50%, mas indicou possíveis cortes adicionais à frente, refletindo preocupação com um cenário econômico ainda incerto. No Brasil, o Banco Central elevou a Selic em 100 pontos-base, para 14,25%. Adicionalmente, medidas de estímulo anunciadas pela China para impulsionar o consumo doméstico favoreceram o apetite por ativos emergentes, beneficiando especialmente o real. Nesse contexto, o dólar apresentou movimentos mistos, fortalecendo-se pontualmente na sexta-feira (21/03) devido à aversão global ao risco e ajustes técnicos, mas ainda acumulando perdas semanais frente ao real pela terceira semana consecutiva.
A sessão de hoje é marcada pela continuidade do sentimento de aversão ao risco no exterior, com os índices acionários dos EUA encerrando majoritariamente em queda.
A incerteza em relação ao cenário macroeconômico, gerada pelas políticas tarifárias implementadas pelo presidente Trump e pelas possíveis medidas retaliatórias dos países afetados, segue impactando negativamente o humor dos mercados internacionais.
Na ausência de catalisadores positivos na sessão atual, o real acompanha o tom dos mercados externos, que apresentam fortalecimento do dólar, especialmente frente às moedas emergentes. O movimento de alta de hoje reflete também ajustes técnicos de posições locais, ressaltando-se que, apesar da valorização no dia de hoje, a moeda norte-americana encaminha-se para a terceira semana de queda em relação ao real.
Os mercados hoje experimentam uma sessão marcada pelo fortalecimento do dólar em nível global. O índice DXY, que mede a variação do dólar frente a uma cesta de moedas desenvolvidas, voltou a operar em alta, em um movimento de ajuste após apresentar queda superior a 3% no acumulado do ano. A alta do dólar nesta sessão reflete um ajuste de posições após uma sequência positiva do real, que vem se valorizando mais de forma acentuada no mês de março em conjunto com o fortalecimento do dólar a nível global na sessão de hoje.
Essa dinâmica ocorre enquanto os mercados internacionais e domésticos ainda repercutem as decisões tomadas nesta quarta-feira referentes às taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil. Como amplamente esperado, o Federal Reserve (Fed) manteve suas taxas de juros no intervalo de 4,25%-4,50%, direcionando as atenções principalmente ao comunicado do presidente Jerome Powell, que destacou um cenário ainda “incerto” para a economia americana. Powell enfatizou a existência de uma fonte “exógena” de inflação nos EUA—termo utilizado por economistas para descrever choques externos que, neste caso, referem-se às tarifas e aos impactos decorrentes da escalada da guerra comercial. Embora ainda se espere que o Fed corte as taxas de juros mais duas vezes neste ano, totalizando 50 pontos-base, os membros votantes do Comitê de Política Monetária demonstraram menor convicção sobre esses cortes futuros.
Já no mercado doméstico, o Banco Central do Brasil elevou a taxa básica de juros (Selic) em 100 pontos-base, levando-a para 14,25%, o maior patamar desde outubro de 2016. Neste contexto, as atenções estavam voltadas ao guidance do Banco Central brasileiro, sob nova administração, em relação aos próximos passos da política monetária. O presidente da instituição adotou uma abordagem cautelosa, sinalizando que a política monetária será respaldada pelo “firme compromisso de convergência da inflação à meta”.
O evento do dia foi a decisão do FOMC sobre a taxa de juros. O comitê decidiu manter as Fed Funds inalteradas no intervalo entre 4,25% e 4,50%, conforme amplamente esperado pelo mercado. Em relação à redação do comunicado, a única mudança notável foi a inclusão da frase destacando que "a incerteza em torno das perspectivas econômicas aumentou".
Além disso, o Resumo das Projeções Econômicas (SEP) divulgado pelo Federal Reserve mostra a mediana das expectativas para a taxa de juros em 2025 em 3,875%, sinalizando cortes adicionais de 50 pontos-base. Essa sinalização foi interpretada positivamente pelo mercado e contribuiu para o avanço dos principais índices de ações nos EUA na sessão de hoje.Adicionalmente, ocorre hoje a reunião do COPOM no Brasil, com consenso de mercado prevendo que o Banco Central brasileiro eleve a taxa Selic em 100 pontos-base, para 14,25%, além de fornecer orientação sobre as próximas decisões da autoridade monetária.
Com o sentimento positivo observado nos mercados internacionais somado à expectativa de aprofundamento do diferencial de juros entre Brasil e EUA – o que tende a atrair fluxos financeiros para o país –, o real registra hoje o seu sexto dia consecutivo de valorização frente ao dólar.
Mais um dia de aversão ao risco nos mercados internacionais, com investidores buscando proteção. O ouro bateu novo recorde histórico nesta terça-feira, ultrapassando US$ 3 mil por onça-troy, impulsionado pela fraqueza do dólar e pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Investidores ainda pesam os impactos das políticas tarifárias de Trump e indicadores fracos divulgados na semana passada em relação ao crescimento americano, que fizeram o índice DXY – que mede a variação do dólar em relação a divisas de países desenvolvidos – negociar abaixo dos 103, nível mais baixo em cinco meses.
Com a queda do dólar a nível global, houve surpresas positivas no noticiário local que impulsionaram mais um dia de queda da divisa americana contra o real. O presidente assinou o projeto de lei da reforma do imposto de renda no Congresso, ampliando faixas de isenção. Sem surpresas negativas no endereçamento do projeto e o tom ameno adotado pelo presidente durante a apresentação do projeto também foi interpretado como um sinal positivo, contribuindo para a valorização dos ativos de risco domésticos.
O dólar apresenta um dia de enfraquecimento frente às principais moedas globais e emergentes nesta segunda-feira. O índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana em relação a uma cesta de moedas desenvolvidas, opera em queda e atinge seu menor patamar desde outubro do ano passado.
Moedas emergentes também aproveitam o movimento global e registram uma performance positiva diante do dólar, refletindo a ausência de forças contrárias vindas do exterior.
O movimento de enfraquecimento do dólar ocorre em meio a um cenário de estímulos econômicos na China. No último fim de semana, o governo chinês anunciou medidas abrangentes destinadas a impulsionar o consumo interno, ampliar a demanda em diversas áreas e aumentar a capacidade de consumo das famílias por meio do aumento da renda e da redução dos encargos financeiros.
Sendo a segunda maior economia do mundo e contando com um extenso mercado doméstico, medidas que visam estimular o consumo das famílias chinesas tendem a impulsionar a demanda por bens e produtos globais, beneficiando especialmente as economias com fortes laços comerciais com o país asiático. O volume total de importações chinesas de commodities — do petróleo bruto aos metais industriais — continua sem paralelo no mundo.
O Brasil, como um dos principais parceiros comerciais da China, está bem posicionado para se beneficiar desse movimento, o que ajuda a explicar a valorização do real na sessão de hoje.
Nesta semana, o dólar alternou movimentos frente ao real, refletindo principalmente as incertezas sobre as políticas tarifárias dos EUA, decisões dos bancos centrais e tensões geopolíticas. Apesar da recuperação pontual da moeda americana na sexta-feira (21/03), devido à aversão global ao risco e ajustes técnicos, o real ainda se beneficia de fatores domésticos positivos, como a alta da Selic para 14,25% e o avanço da reforma do Imposto de Renda. Com isso, a moeda norte-americana caminha para sua terceira semana consecutiva de queda frente ao real.
Bruno Shahini
Com 9 anos de experiência no mercado financeiro, atuou na Votorantim Asset e no Banco Daycoval, é economista formado no Insper e possui as certificações CFP® (Certified Financial Planner) e CGA (Gestão de Carteiras ANBIMA)
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