Tarifas recíprocas abalam mercados: o que fazer agora?

Entenda a recente volatilidade dos mercados globais e saiba como agir

por

Paula Zogbi

2 min.

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Publicado em

3/4/2025

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As ações dos EUA e ativos de risco de maneira geral apresentam uma queda significativa nesta quinta-feira, enquanto o dólar se desvaloriza em relação a outras moedas globais, inclusive o real — o câmbio atingiu o menor patamar desde outubro de 2024. A sessão está sendo marcada, em grande parte, pela resposta ao anúncio das tarifas de Trump, realizado ontem. O governo americano trouxe medidas duras, com um mínimo de 10% de tarifas para todos os países que possuem relações comerciais com os EUA e tarifas mais altas para economias que o próprio presidente classificou como "mais injustas", responsáveis pelos maiores déficits comerciais para a balança americana.

Fonte: FactSet. Data de consulta: 03/04/2025

Embora o anúncio tenha como objetivo estimular e expandir a indústria doméstica, o mercado observa potenciais pressões inflacionárias e aumentos nos custos, podendo gerar choques negativos para a atividade - lembrando que quem pagará mais pelos produtos importados não serão os estrangeiros, e sim os americanos. Como reflexo, o mercado aumentou a expectativa de desaceleração da atividade, com reflexo de uma queda de 17 basis points nos juros de 10 anos. Parte da reação pode ser reflexo de possíveis retaliações de regiões mais afetadas, como, por exemplo, a União Europeia taxada em 20% e a China em 54% no total (34% anunciados ontem em adição aos 20% previamente aplicados). Como os próximos movimentos ainda são imprevisíveis, a volatilidade deve seguir sendo a tônica do mercado enquanto acompanhamos novos desdobramentos das medidas, com prováveis novas revisões de expectativas para os resultados das companhias por analistas e uma possível continuidade do fluxo financeiro para teses mais defensivas e outras economias globais. Todas essas teses são acessíveis através do mercado americano, inclusive outras economias globais, tanto em renda fixa como variável.

Para investimentos de longo prazo, momentos como esse reforçam a necessidade de manter, e reforçar, uma carteira equilibrada, incluindo ativos defensivos, como renda fixa, ativos reais e companhias mais sólidas e resilientes. Os próximos movimentos de curto prazo para o dólar e ativos de risco são imprevisíveis, e comprar com recorrência, criando um preço médio, continua sendo a melhor forma de buscar um preço médio. Neste contexto, quedas de curto prazo podem significar oportunidades de diminuir esse custo. A descorrelação entre ativos financeiros pode ser o seu maior escudo contra a incerteza, e investir globalmente é essencial para buscar esse efeito.

Paula Zogbi

Gerente de Research e Head de conteúdo na Nomad, tem mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, foi head de conteúdo na XP, analista na Rico e jornalista na InfoMoney e EXAME. É graduada em jornalismo pela USP e tem certificação CNPI pela Apimec.

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