por
Danilo Igliori
Nickolas Lobo
Paula Zogbi
3 min
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Publicado em
14/2/2025
O Bureau of Labor Statistics dos Estados Unidos publicou na última quarta-feira (12/02) que o índice de preços ao consumidor americano (CPI), acumulado em 12 meses, registrou uma variação de 3,0% (com aumento de 0,5% em janeiro). A leitura ficou 0,2 ponto percentual acima do que o mercado esperava, alimentando incertezas em relação à trajetória dos preços e, por associação, gerando dúvidas sobre as próximas decisões do FED.
No gráfico, é possível notar que, entre julho de 2020 e junho de 2022, o componente que causou o maior crescimento para o CPI foi o de transporte, acumulando um aumento total de 45% durante o período. Contudo, em junho de 2022, o acumulado da variação partindo de 2020 caiu de 45% para 44%, deflacionando 1 ponto percentual em relação ao valor acumulado de 2022 a 2024. Partindo desse racional, o que podemos perceber é que serviços, habitação e alimentação são os componentes que estão gerando o maior impacto no CPI neste momento, levando em conta o quanto cresceram desde 2022.
Parte da explicação vem do que chamamos de lagging indicators — ou seja, algo que acontece "com atraso", como resposta aos aumentos anteriores, como, por exemplo, salários demandados que aumentam após os trabalhadores verem um um aumento de custo de vida. Dentro desses componentes, um que vem chamando muito a atenção é o de habitação (responsável por 30% do aumento do último aumento do CPI e 50% no fim do ano passado), isso porque contratos de aluguéis costumam ser mais rígidos, mudando apenas quando ocorrem renovações ou quando um inquilino se muda. Portanto, pode levar algum tempo para que esses preços reflitam as condições do mercado, deixando menos espaço para uma retomada do ciclo de cortes de juros.
No pano de fundo, as incertezas se somam aos potenciais impactos de novas tarifas de importação, que tendem a ser inflacionárias, de possível diminuição da força de trabalho com novas políticas imigratórias e de atividade ainda forte. Tudo isso não apenas pode atrasar o ciclo de cortes como começa a gerar discussões sobre um novo aumento dos juros em algum momento no futuro não tão distante.
Danilo Igliori
Economista-chefe da Nomad. Professor do Departamento de Economia da FEA-USP, PhD pela Universidade de Cambridge. Foi um dos fundadores da DataZAP, no Brasil já atuou em empresas como BTG Pactual, Unibanco, Vale, Grupo Zap e OLX, e no Reino Unido, em agências internacionais como Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Nickolas Lobo
Analista de Research da Nomad, com 5 anos de experiência no mercado financeiro, com passagem pela Spectra, Banco Modal e mais de 3 anos trabalhando em equities globais, principalmente no mercado americano, na RXZ Investimentos. É graduado em Economia pelo Insper
Paula Zogbi
Gerente de Research e Head de conteúdo na Nomad, tem mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, foi head de conteúdo na XP, analista na Rico e jornalista na InfoMoney e EXAME. É graduada em jornalismo pela USP e tem certificação CNPI pela Apimec.
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