Tarifas de Trump: Os impactos além do discurso | Gráfico da Semana

Gráfico da Semana é uma série em que tratamos de um tema de relevância para o mercado global, com um breve comentário do nosso time de análise.

por

Nickolas Lobo

Danilo Igliori

3 min

-

Publicado em

6/3/2025

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Fonte: Tax Foundation | Principled, Insightful, Engaged e Nomad Research. Acesso em 05/03/205.

Nas duas últimas semanas, o mercado vem atribuindo um maior peso à incerteza gerada pela política tarifária do governo Trump. Efeito direto disso, o S&P500 devolveu todo o ganho acumulado desde a eleição em novembro passado. Mas quais são, afinal, os efeitos das tarifas?

A Tax Foundation (organização de pesquisa global apartidária) estima que a alíquota média de tarifas sobre as importações aumentaria de 2,5% em 2024 para 13,8%,  caso todas as tarifas propostas até o momento fossem impostas. Essa seria a taxa mais alta desde 1939, ou seja, desde o fim da Grande Depressão. A Tax Foundation estimou ainda  que as tarifas propostas poderiam reduzir a produção dos EUA, impactando negativamente os lucros em uma média de 1,7% a 2,2% em 2026.

Mais tarifas = mais arrecadação?

De acordo com a Tax Foundation, se as tarifas forem impostas em conjunto, e as alíquotas se acumularem sobre as taxas existentes, a receita arrecadada seria menor, pois as importações cairiam em níveis mais significativos. Ou seja: no agregado, os efeitos estimados das tarifas seriam negativos sobre a atividade econômica e sobre a arrecadação dos EUA.

O argumento principal da adoção de tarifas sugere que o aumento de preços de bens importados vai aumentar o incentivo para a substituição por produtos produzidos localmente. No entanto, existem muitas dúvidas do que seria viável substituir no curto e médio prazos.

O que foi anunciado?

  1. Importações de países específicos: Trump assinou três ordens executivas para impor tarifas sobre Canadá e México em 25% e China em 20%. As tarifas de 10% sobre todas as importações da China já haviam entrado em vigor e cresceram em mais 10% a partir de 4 de março. Além disso, Trump anunciou planos para impor tarifas de 25% sobre as importações da UE. Posteriormente, parte dos produtos mexicanos foram isentados novamente das novas taxas, ao menos até abril.

  2. Taxas sobre commodities: Duas ordens acabam com as isenções às tarifas sobre aço e alumínio e aumentam a alíquota sobre o alumínio de 10% para 25%. Além disso, informalmente o presidente indicou que produtos agrícolas estrangeiros serão taxados a partir de 2 de abril.

  3. Indústria: Em 14 de fevereiro, Trump comentou que planeja impor tarifas sobre as importações de automóveis a partir de 2 de abril. Em outra declaração, falou que taxas para automóveis estariam "na vizinhança de 25%", enquanto as alíquotas sobre semicondutores e produtos farmacêuticos seriam "25% ou superiores". As tarifas sobre o setor automotivo estiveram no centro das discussões nos últimos dias, com o adiamento da imposição de tarifas sobre autopeças vindas do Canadá e México (um recuo em relação às medidas tomadas na virada do mês).

Nickolas Lobo

Analista de Research da Nomad, com 5 anos de experiência no mercado financeiro, com passagem pela Spectra, Banco Modal e mais de 3 anos trabalhando em equities globais, principalmente no mercado americano, na RXZ Investimentos. É graduado em Economia pelo Insper

Danilo Igliori

Economista-chefe da Nomad. Professor do Departamento de Economia da FEA-USP, PhD pela Universidade de Cambridge. Foi um dos fundadores da DataZAP, no Brasil já atuou em empresas como BTG Pactual, Unibanco, Vale, Grupo Zap e OLX, e no Reino Unido, em agências internacionais como Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento.

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